As exportações de minério de cobre para a China no primeiro trimestre atingiram recorde de US$ 331 milhões, 180% a mais do que no mesmo período de 2024 (Ricardo Teles/Portal Brasil.gov.br/Reprodução)
Repórter
Publicado em 18 de abril de 2025 às 08h09.
A demanda da China por minerais estratégicos utilizados na transição energética e nas indústrias de tecnologias e defesa tem transformado o país asiático em um dos principais mercados para as exportações brasileiras no setor, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado nesta semana.
O boletim assinado por Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, destaca que no primeiro trimestre de 2025, as vendas de minério de cobre alcançaram um recorde de US$ 331 milhões — alta de 180% em relação ao mesmo período de 2024.
O desempenho foi impulsionado pela valorização de 18% no preço do mineral e o crescimento de 79% no volume embarcado, que chegou a 124 mil toneladas — a maior marca já registrada para o período.
Com isso, o minério de cobre ou a representar 2% de todas as exportações brasileiras para a China, tornando-se o produto com maior crescimento relativo entre os dez principais itens da pauta exportadora, tanto em valor quanto em volume, aponta o conselho.
No acumulado do trimestre, a China foi destino de 35% do minério de cobre exportado pelo Brasil, superando mercados como Bulgária (18%) e Alemanha (15%). A análise do CEBC mostra que a demanda chinesa pelo material vem crescendo ano a ano.
Em 2024, o país já havia liderado o ranking, com 20% de participação. Uma década antes, em 2014, a fatia chinesa era de apenas 11%. A trajetória mostra uma guinada na geografia das exportações brasileiras, com a China ganhando espaço entre os maiores compradores de minerais críticos.
O movimento ocorre em meio ao crescimento global da indústria verde voltada à transição energética — como a de carros elétricos, baterias e energias renováveis —, que exige matérias-primas como cobre, lítio, nióbio e manganês.
Segundo o CEBC, esse novo padrão de demanda vem abrindo oportunidades para o Brasil, que detém grandes reservas e capacidade produtiva desses insumos.
Além do cobre, outros minerais estratégicos registraram crescimento expressivo nas exportações para a China no primeiro trimestre: em manganês, por exemplo, a alta foi de 310%, seguida por ferroníquel – crescimento de 253%, cobre refinado e ligas de cobre (56%), obras de nióbio (35%) e ferronióbio (13%).
Assim como nos embarques de compostos de metais de terras raras de ítrio e escândio, que somaram 419 toneladas — sete vezes mais do que em todo o ano de 2024. O volume de carbonato de lítio exportado de 56 toneladas também representou um crescimento frente à ausência de vendas no mesmo período do ano anterior.
O estudo do CEBC pondera, contudo, que houve uma queda de 22% no preço do minério de ferro que resultou no recuo de 25% do faturamento. Mas acrescenta que o produto continua sendo o principal item da pauta mineral e a China responsável por 65% das remessas brasileiras do minério nos três primeiros meses do ano. O volume total embarcado cresceu 3% no trimestre e atingiu 59 mil toneladas — recorde para o período.
O relatório é divulgado em um momento sensível nas relações comerciais internacionais sobre esses recursos considerados estratégicos, principalmente para a transição energética. Nesta terça-feira, 15, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou uma investigação para avaliar a necessidade de tarifas sobre minerais estratégicos.
A mais recente ação, – em uma guerra comercial em expansão –, quer apurar se há impacto das importações desses materiais "na segurança e resiliência dos EUA", segundo a Casa Branca. Caso o secretário de Comércio confirme prejuízos e Trump decida impor tarifas, as novas taxas substituirão as atuais chamadas de tarifas recíprocas.
No campo das exportações brasileiras, o levantamento do CEBC também mostra que a soja bateu recorde de volume no trimestre, com quase 17 mil toneladas exportadas para a China — alta de 7% em relação ao mesmo período de 2024.
Mesmo com queda de 4,4% no faturamento por conta da desvalorização do grão, o país asiático respondeu por 77% das compras brasileiras, ampliando sua participação em 5 pontos percentuais.
Outro destaque do levantamento do CEBC é o avanço da indústria de transformação nas exportações brasileiras para a China, com participação de 23% no primeiro trimestre — um aumento de 6 pontos percentuais na comparação anual.
Já o setor extrativo respondeu por 42% das vendas (queda de 5 pontos), e o agropecuário, por 35% (recuo de 1 ponto percentual).